Bonde amarelo 28 numa rua de paralelepípedos em Lisboa, destino comum de quem usa no exterior uma procuração feita no Brasil

Tradução Juramentada de Procuração

Tradução juramentada de procuração para o exterior: cartório, apostila e preço por página

Benedikt Schober ·

Uma procuração brasileira para uso no exterior passa primeiro pelo cartório, que em regra apostila o papel assinado pelo tabelião (na pública) ou o reconhecimento de firma (na particular). Depois vem a tradução juramentada de procuração no idioma de quem vai recebê-la, com o texto da apostila traduzido junto: do português para o inglês, R$ 149 a 1ª página e R$ 49 cada página a mais, pela lista do orçamento online.

Num país da Convenção da Apostila, a tradução em regra também recebe a própria apostila, depois da apostila do original (Código Nacional de Normas do CNJ, art. 15, § 1º), e essa a traduzme faz em formato digital, por R$ 119 (veja a ordem entre as duas apostilas). Na procuração assinada em inglês, a ordem se inverte: a tradução para o português vem antes da apostila (caminho (a), mais abaixo). Fora da Convenção, a apostila dá lugar à legalização.

Pelo preço de lista, uma procuração pública de quatro páginas do português para o inglês fica em R$ 296 (R$ 149 + 3 × R$ 49). No orçamento da sua procuração, com preço por página, nos idiomas disponíveis, você vê o valor final e a data antes do Pix. A tradução juramentada é feita sobre a procuração já assinada; a minuta serve só para estimar as páginas. As contas abaixo servem a três leitores: o escritório que repassa o preço ao cliente, os herdeiros que dão poderes a um advogado de fora e quem vai morar fora e precisa de alguém agindo por ele no país de destino antes de chegar. Na situação típica, o advogado lá fora manda um modelo, e o idioma em que você assina e a forma da procuração decidem o caminho no cartório e o preço.

O modelo que o advogado lá fora mandou, comentado cláusula por cláusula

O modelo de procuração enviado pelo advogado estrangeiro decide quatro coisas antes de qualquer cartório: em que idioma você assina, quantas páginas serão traduzidas, se o advogado de lá pode repassar os poderes e se a procuração ainda vale quando chegar a data do ato. Os cinco trechos abaixo são os que mais mudam o caminho.

"OUTORGANTE: [nome completo], [nacionalidade], portador do passaporte nº [número]…"1

"…poderes para vender o imóvel situado em [endereço], assinar a escritura, receber o preço e dar quitação…"2

"…válida por 90 (noventa) dias a contar desta data…"3

"…acompanham esta procuração cópias de [documentos]…"4

"…podendo substabelecer, com ou sem reserva de poderes…"5

Minuta ilustrativa, com dados fictícios; a redação final é do tabelião ou do advogado.
  1. O nome escrito aqui deve coincidir, letra por letra, com o documento que você vai apresentar no país de destino; a tradução reproduz a grafia que estiver na procuração, sem ajustar nada.
  2. Poderes genéricos podem ser recusados lá fora; para vender o imóvel, a procuração precisa de poderes especiais e expressos (Código Civil, art. 661, § 1º). Na venda de imóvel, a cláusula "em causa própria" muda o fim da procuração (CC, art. 685).
  3. Um prazo curto pode vencer antes da audiência ou da escritura lá fora, e com o fim do prazo termina o mandato (CC, art. 682, IV). O que mais encerra uma procuração está no fim deste texto.
  4. As cópias que acompanham a procuração seguem com ela para fora. Envie a procuração completa; o orçamento online mostra o que entra no preço e o valor final antes do Pix.
  5. Se o advogado de lá precisar passar o caso a um colega, essa cláusula costuma ser pedida; sem ela, o advogado lá fora pode ter de pedir uma procuração nova. Pergunte isso antes de assinar.

Na situação típica de escritório, o modelo chega em inglês e tem cinco páginas. Há dois caminhos, e cada um tem as suas peças.

No caminho (a), você assina o modelo em inglês como procuração particular, com firma reconhecida num cartório de São Paulo. O cartório só apostila esse reconhecimento se a procuração vier acompanhada de tradução juramentada para o português, que, pela decisão da Corregedoria Nacional de Justiça de 2018, "deverá integrar, para todos os efeitos, o documento original". A tradução vem antes da apostila: do inglês para o português, cinco páginas custam R$ 335 pela lista (R$ 139 + 4 × R$ 49). Se o cartório pedir a tradução impressa para juntar ao original, a via física soma R$ 180, e a conta vai a R$ 515. Pergunte ao cartório como ele quer receber a tradução para juntar ao original.

No caminho (b), você assina uma versão em português, como pública ou particular, apostila o original no cartório e manda traduzir do português para o inglês: cinco páginas custam R$ 345 pela lista (R$ 149 + 4 × R$ 49), e a apostila digital da tradução, R$ 119, leva a conta da traduzme a R$ 464, sem a taxa do cartório.

No caminho (a), o cartório faz uma só apostila, sobre a firma reconhecida, e lá fora o texto continua em inglês; no (b), são duas apostilas, a do original e a da tradução, e só esse caminho permite uma procuração pública, porque a escritura é lavrada em português (Código Civil, art. 215, § 3º). A apostila sobre reconhecimento de firma, por sua vez, pode não ser aceita pelo cartório ou pelo banco no país de destino. O orçamento online mostra o valor final de cada caminho. Peça ao advogado de lá, por escrito, qual das duas formas ele aceita; com essa resposta, o idioma e a direção do pedido ficam definidos. E, para quem procura por "procuração juramentada": a procuração não é juramentada; a tradução dela é.

Procuração apostilada: o que o cartório apostila e o que vai para a tradução em cada tipo?

A forma da procuração define qual papel recebe a apostila, quem aparece no campo 2 e o que o tradutor juramentado traduz. Uma procuração apostilada pode ser pública, particular ou eletrônica: a Convenção da Apostila, art. 1º, cobre os atos notariais e os reconhecimentos feitos sobre documentos particulares, e o Código Nacional de Normas do CNJ diz como o cartório brasileiro trata cada caso.

Procuração para uso no exterior: apostila e tradução por tipo (outubro de 2026)
TipoO que o cartório apostilaO que vai para a traduçãoAtenção
Pública, lavrada no livro de notasA cópia que o tabelião entrega (traslado ou certidão), como ato notarialO texto inteiro, com selos, etiquetas e o texto da apostilaEm imóvel e herança, pergunte primeiro se quem recebe exige esta forma
Particular com firma reconhecidaO reconhecimento de firma, como ato excepcional; no campo 2 aparece o tabelião (veja a assinatura reconhecida no cartório)O texto, o reconhecimento e a apostilaQuem recebe pode não aceitar; pergunte antes
Eletrônica, pelo e-NotariadoO próprio arquivo eletrônico, sem papel (art. 14)O PDF vai direto ao orçamento online, sem escanearQuem recebe decide se aceita o formato eletrônico
Particular em inglês, assinada no BrasilO reconhecimento de firma, só com tradução juramentada para o português, que passa a integrar o original (CNJ, 2018)Do inglês para o português: R$ 139 + R$ 49 por página a mais; papel ou PDF, o cartório decideÉ o caminho (a) acima
Bilíngue, português e outro idiomaComo na pública ou na particularDo português para o idioma: para o inglês, R$ 149 + R$ 49 por página a maisA coluna estrangeira não substitui a tradução juramentada quando quem recebe pede tradução apostilada (art. 15, § 2º)

Procuração, 1ª página + cada página a mais, pela lista: inglês R$ 149 + R$ 49 (do português) e R$ 139 + R$ 49 (para o português); espanhol R$ 159 + R$ 75 e francês R$ 129 + R$ 39, nas duas direções; alemão R$ 189 + R$ 90 (do português); árabe R$ 379 + R$ 160 (do português).

A tradução juramentada de procuração sai em PDF com assinatura digital do tradutor juramentado, enviada por e-mail. A apostila do original você faz no cartório; a da tradução, a traduzme faz em formato digital, por R$ 119. Se quem recebe pedir papel, a via física custa R$ 180 em inglês, espanhol e francês e segue sem apostila em papel; em alemão e árabe, a entrega é só em PDF. A entrega urgente existe quando ainda há capacidade no dia; a data e a opção urgente aparecem no orçamento online.

O país de destino decide o resto. Os Emirados Árabes Unidos estão fora da Convenção: a procuração passa pela legalização no Itamaraty (gratuita, de 8 a 15 dias corridos), pelo consulado e pelo ministério em Abu Dhabi, que aceita o documento em árabe ou inglês, ou traduzido legalmente; se a tradução juramentada brasileira basta, e em qual idioma, quem pediu a procuração decide. Duas páginas custam R$ 198 do português para o inglês e R$ 539 para o árabe, pela lista; confirme com o Itamaraty e com o consulado o formato aceito antes do pedido, porque em árabe a traduzme entrega só PDF (veja a legalização nos Emirados e em outros países árabes).

Em Portugal, em regra, uma procuração em português não precisa de tradução, e a apostila do cartório brasileiro continua. Para a França, o acordo bilateral dispensa a legalização pelo texto, mas a leitura varia e a apostila ainda pode ser pedida. A representação alemã avisa que a juramentada brasileira pode ser rejeitada na Alemanha, e na Espanha a tradução oficial é a do Traductor-Intérprete Jurado. Em todos esses países, o advogado, o banco ou o registro de lá define o formato; peça a exigência por escrito antes do pedido.

Quem deixa alguém agindo no Brasil não precisa de tradução nem de apostila. Quem vai usar a procuração lá fora conta o tempo de trás para frente, a partir da data do ato: assinatura no cartório, apostila do original (ou, fora da Convenção, legalização no Itamaraty) e tradução, que sem urgência leva 4 dias úteis (5 quando o pedido é longo; em alemão, procurações a partir de 3 páginas já contam como longas), a partir do dia útil em que o Pix é confirmado; com Pix depois das 16h, a contagem começa no dia útil seguinte, e a data exata aparece no orçamento online. No caminho (a), a tradução vem antes da apostila, e a via física ainda passa pelos Correios antes de chegar ao cartório.

Na situação típica de quem se muda para os Estados Unidos e deixa um advogado de lá cuidando do aluguel antes de chegar, uma procuração pública de duas páginas fica em R$ 198 do português para o inglês, mais R$ 119 da apostila digital da tradução: R$ 317 pela lista; a apostila do original o cartório cobra à parte.

O caminho inverso, da procuração estrangeira que chega ao Brasil, está em procurações e atas estrangeiras na Junta Comercial; contratos e outras peças do escritório têm a página de tradução jurídica de contratos e sentenças.

Herdeiros com imóvel no Marrocos: uma procuração pública conjunta ou quatro separadas?

Quatro herdeiros que precisam dar poderes ao mesmo advogado no Marrocos podem assinar uma procuração pública conjunta no mesmo tabelionato ou quatro procurações separadas, e a diferença aparece na tradução e nas apostilas. O Marrocos aplica a Convenção da Apostila desde 2016 (tabela de status da HCCH), então não há legalização no Itamaraty: o original é apostilado no cartório e a tradução pode receber a própria apostila digital.

Antes do pedido, confirme com o advogado no Marrocos que ele aceita uma procuração conjunta traduzida para o árabe, em PDF com assinatura digital e apostila eletrônica.

Situação típica: quatro herdeiros, procuração do português para o árabe (preço de lista, outubro de 2026)
Uma pública conjunta, 4 páginasQuatro separadas, 2 páginas cada
Tradução para o árabeR$ 379 + 3 × R$ 160 = R$ 8594 × (R$ 379 + R$ 160) = R$ 2.156
Apostila digital da tradução (R$ 119 cada)R$ 119R$ 476
Apostilas do original no cartório14

Pela lista da traduzme, a conjunta fica em R$ 978 com a apostila da tradução, contra R$ 2.632 das quatro separadas, e no cartório sai uma apostila em vez de quatro. Com um imóvel nos Estados Unidos e a procuração em inglês, a conjunta de quatro páginas fica em R$ 296, contra 4 × R$ 198 = R$ 792 das separadas, pela lista. Numa procuração conjunta, cada herdeiro aparece como outorgante, e a venda da parte de cada um pede poderes especiais e expressos (Código Civil, art. 661, § 1º); o advogado no Marrocos confirma se a lei de lá exige algo mais. Se quem recebe aceitar a procuração em francês, a mesma conjunta de quatro páginas fica em R$ 246 pela lista (R$ 129 + 3 × R$ 39), e no francês existe a via física.

Herdeiros que moram em cidades diferentes podem assinar a procuração pública eletrônica a distância, em chamada de vídeo com o tabelião, pelo e-Notariado (hoje no Código Nacional de Normas do CNJ, que incorporou o Provimento nº 100/2020); o documento eletrônico é apostilado sem papel (Código Nacional de Normas, art. 14). Inclua o formato eletrônico na mesma consulta ao advogado no Marrocos.

Quando a procuração usada lá fora perde efeito?

No direito brasileiro, o mandato cessa pelas causas do Código Civil, art. 682: "pela revogação ou pela renúncia", "pela morte ou interdição de uma das partes", "pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatário para os exercer" e "pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio". Lá fora, a lei do país onde a procuração é usada pode decidir o fim dos poderes (em Portugal, Código Civil português, art. 39, n.º 1; para imóveis, n.º 4, a lei do país onde está o bem); confirme com o advogado de lá.

O próprio Código Civil tem exceções: a procuração em causa própria não perde efeito por revogação nem pela morte de qualquer das partes (art. 685); a revogação fica sem efeito quando a irrevogabilidade é condição de um negócio bilateral ou foi estipulada no interesse exclusivo do procurador (art. 684), ou quando a procuração serve para cumprir ou confirmar negócios já iniciados (art. 686, parágrafo único). Fora desses casos, a cláusula de irrevogabilidade só obriga quem revoga a pagar perdas e danos (art. 683) (Código Civil, arts. 682 a 686).

Pelo direito brasileiro, a morte de um herdeiro encerra, em regra, a procuração que ele deu; os herdeiros dele assinam uma nova, e o caminho recomeça: cartório, apostila ou legalização, tradução. Quem revoga precisa fazer a revogação chegar também ao tabelião, ao banco ou ao advogado estrangeiro, porque a revogação comunicada só ao procurador não vale contra terceiros que, sem saber dela, trataram com ele de boa-fé (CC, art. 686). Para a apostila e para a tradução, a lei brasileira não fixa validade; quem recebe costuma pedir um traslado recente.

Quando o procurador muda ou um herdeiro morre, normalmente vem uma procuração nova; se quem recebe lá fora pedir também a revogação traduzida, ela entra no mesmo orçamento, com a apostila digital de cada documento (veja a tradução com apostila no mesmo pedido). Escritórios com procurações de vários clientes mandam tudo pelo WhatsApp (61) 99803-8363 e recebem um orçamento único por idioma e direção.

Normas e páginas consultadas para este texto em 28/10/2026: Código Nacional de Normas do CNJ (Provimento nº 149/2023), arts. 9, 14 e 15; Corregedoria Nacional de Justiça, Pedido de Providências nº 0006399-45.2018.2.00.0000, pelo IRIB; Código Civil, arts. 215, 661, 682, 683, 684, 685 e 686; Convenção da Apostila, arts. 1º e 3º, e tabela de status da HCCH; Decreto nº 8.660/2016; Decreto nº 3.598/2000 (acordo Brasil–França); Código Civil português, art. 39, n.ºs 1 e 4; Provimento CNJ nº 100/2020 (e-Notariado), incorporado ao Código Nacional de Normas; gov.br, legalização de documentos; Ministério das Relações Exteriores dos Emirados; Embaixada da Alemanha no Brasil; Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha. Preços: tabela do orçamento online da traduzme em 28/10/2026. Foto do topo: Scott Graham, Unsplash.

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Sim, sobre o reconhecimento de firma, como ato excepcional (Código Nacional de Normas do CNJ, art. 9, §§ 3º e 4º); no campo 2 da apostila aparece o tabelião. Se a procuração estiver em idioma estrangeiro, o cartório só apostila com tradução juramentada para o português, que passa a integrar o original (Corregedoria Nacional de Justiça, 2018). Quem recebe lá fora pode exigir uma procuração pública.

Para uso num país da Convenção da Apostila, em regra sim: quem recebe costuma pedir a apostila, e, para confirmar a assinatura, ela é a única formalidade que pode exigir (Convenção da Haia, art. 3; Decreto 8.660/2016). Acordos bilaterais podem dispensá-la, como o acordo Brasil–França, cuja leitura varia. Fora da Convenção, como nos Emirados e no Líbano, vale a legalização no Itamaraty e no consulado. Para uso no Brasil, uma procuração brasileira não precisa de apostila.

A procuração pública é assinada em português no tabelionato, e o cartório apostila o traslado como ato notarial (Código Nacional de Normas do CNJ). Depois, a tradução juramentada leva o texto da procuração e o da apostila para o idioma de destino: do português para o inglês, R$ 149 a 1ª página e R$ 49 cada página a mais. A apostila do original você faz no cartório; a da tradução, a traduzme faz em formato digital, por R$ 119.

A procuração não tem validade fixa no Código Civil, e a apostila e a tradução não têm prazo legal. Pelo Código Civil, o mandato termina, entre outras causas, por revogação, morte ou prazo (art. 682). A cláusula de irrevogabilidade, sozinha, não impede a revogação: quem revoga paga perdas e danos (art. 683). A revogação só fica sem efeito nos arts. 684 e 686, parágrafo único, e na procuração em causa própria (art. 685). Lá fora, pode decidir a lei local.

Do português para o inglês, R$ 149 a 1ª página e R$ 49 cada página a mais; do inglês para o português, R$ 139 + R$ 49. Em francês, a partir de R$ 129 a 1ª página, nas duas direções; do português para o árabe, R$ 379 + R$ 160. A apostila digital da tradução custa R$ 119. O valor final aparece no orçamento online, nos idiomas disponíveis.

Em regra, não, se estiver em português; quem recebe em Portugal confirma. A apostila do cartório brasileiro continua sendo a formalidade da Convenção (Decreto 8.660/2016). Se for assinar pelo e-Notariado, pergunte antes a quem recebe em Portugal se aceita o formato eletrônico.