
Aluguel de Equipamento de Tradução Simultânea em São Paulo
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Aluguel de equipamentos para tradução simultânea em São Paulo: o receptor que não sai em nota de serviço
· Benedikt Schober
Peça ao fornecedor que separe, no orçamento, o que é locação e o que é serviço. No aluguel de equipamentos para tradução simultânea em São Paulo, essa separação define que documento fiscal cada parte recebe, que imposto incide sobre ela e o que a empresa contratante consegue comprovar depois na contabilidade.
Receptor alugado não sai em nota fiscal de serviço
A Prefeitura de São Paulo respondeu a essa dúvida para uma empresa cuja atividade principal era exatamente a "locação de equipamentos para tradução simultânea", e que também cedia um técnico para a montagem e, às vezes, recepcionistas. Na Solução de Consulta SF/DEJUG nº 18, de 28 de abril de 2008, a Secretaria da Fazenda afirmou que "não é permitida a emissão de qualquer tipo de Nota Fiscal de Serviços para as atividades de locação de bens móveis"; a montagem e a instalação foram enquadradas no item 14.06 da lista de serviços, e o fornecimento de recepcionistas no item 17.05, os dois com nota fiscal eletrônica (texto da consulta). Uma consulta de 2021 sobre outra locação sem operador manteve a mesma linha: "Não é possível a emissão de qualquer documento fiscal municipal para acobertar operação descrita" (Solução de Consulta SF/DEJUG nº 8/2021).
A base é a Súmula Vinculante 31 do STF: "É inconstitucional a incidência do imposto sobre serviços de qualquer natureza - ISS sobre operações de locação de bens móveis". O limite dela aparece quando o equipamento chega com quem o opera. Em 2009, numa consulta sobre equipamentos de informática, áudio e vídeo, telefonia e tradução simultânea cedidos com "mão-de-obra técnica" para operá-los, a Prefeitura de São Paulo recusou tratar o contrato como locação e tributou o conjunto como serviço, no subitem 17.02 (Solução de Consulta nº 7/2009). E o STF admitiu aplicar a súmula a contratos mistos "se a locação de bens móveis estiver claramente segmentada da prestação de serviços" (Rcl 14.290 AgR, Pleno, 22/05/2014, citada na análise de Gustavo Amorim).
Na prática, um orçamento de locação de equipamentos para tradução simultânea que deixa cada parte visível tem quatro linhas:
- locação de cabines, central de intérpretes, transmissores e receptores, sem nota fiscal de serviço;
- montagem e instalação, item 14.06;
- recepcionistas que entregam e recolhem os receptores, item 17.05;
- a interpretação simultânea, item 17.02, quando o mesmo fornecedor também fornece os intérpretes (o lugar onde esse ISS é devido está no texto sobre tradução simultânea em São Paulo com inglês e espanhol).
O técnico que fica na cabine durante o evento é o ponto sensível: foi a operação junto com o equipamento que levou a consulta de 2009 a tratar tudo como serviço. Que documento acompanha a locação, e como lançá-lo, é pergunta para a contabilidade da empresa; a própria consulta de 2008 deixou esse ponto de fora, por não ser assunto do município.
Infravermelho, rádio ou o celular de cada participante
A escolha da tecnologia de transmissão decide quem consegue ouvir a interpretação, e onde. A Bosch, no catálogo do sistema infravermelho Integrus, informa até 32 canais de áudio e lembra que "infrared signals cannot pass through walls and ceilings" (catálogo Integrus). A Listen Technologies descreve o mesmo efeito pelo outro lado: com infravermelho, só os receptores na sala, "with line-of-sight visibility", recebem o áudio, enquanto com rádio o ouvinte circula "from room to room" (Listen Technologies).
O teste cabe no ensaio: saia da sala com um receptor no ouvido. Com infravermelho, o som some na porta; com rádio, continua no corredor. Daí sai o critério. Numa apresentação de produto ainda não lançado ou numa negociação sindical, o sinal que não atravessa a parede protege o conteúdo de quem está no corredor. Num congresso com salas paralelas, numa visita a fábrica ou num auditório em que o público entra e sai, o rádio acompanha o ouvinte. A terceira via é o celular do participante, com aplicativo e fone próprio. A Interprefy, por exemplo, pede iOS 15 ou Android 10, ou versões mais recentes, e "a reliable WiFi network" (guia do aplicativo), e o Wi-Fi do salão passa a ser parte do equipamento de tradução simultânea, com o orçamento que isso tiver no local.
500 receptores numa manhã de duas horas
A SP Leituras, organização social de cultura que gere a Biblioteca de São Paulo e a Biblioteca Villa-Lobos, publicou em 2026 o termo de referência para alugar equipamentos de tradução simultânea no 17º Seminário Internacional Biblioteca Viva (termo de referência). Ele serve de referência de dimensionamento para quem aluga equipamento em São Paulo.
Para uma sessão das 9h30 às 11h30 no Grande Auditório do Centro de Convenções Rebouças, o documento pediu 500 receptores, duas cabines acústicas, duas centrais duplas para intérpretes, dois transmissores UHF digitais e um operador técnico. Um receptor por pessoa da plateia que vai ouvir a interpretação é a base da conta; a transmissão por rádio cobre um auditório desse tamanho sem depender de linha de visada.
O mesmo pedido incluiu três recepcionistas. Com 500 aparelhos para entregar na entrada e recolher na saída, numa sessão de duas horas, a distribuição vira uma operação própria, com fila, documento de identificação ou lista de presença e conferência na devolução. Na Biblioteca Villa-Lobos, dois dias depois, foram 200 receptores, uma cabine e duas recepcionistas.
O calendário de montagem é a terceira parte da conta. No Rebouças, a montagem ficou para a noite anterior; na Villa-Lobos, das 23h às 5h, com a mesma janela para a desmontagem na noite seguinte. O termo exige o equipamento pronto antes do início de cada atividade e retirado ao fim de cada dia: cada dia de evento tem a sua montagem, feita na noite anterior, e a sua desmontagem. Num evento de três dias com programação em salas diferentes, isso multiplica as janelas de trabalho do técnico, e o orçamento precisa mostrar quantas são.
As regras do centro de convenções
O fornecedor de equipamento entra no pavilhão pelas regras do local, e essas regras aparecem no manual do evento, não no orçamento. No manual do Congresso Brasileiro de Psiquiatria de 2026, no Distrito Anhembi, constam que "o ANHEMBI possui fornecedor exclusivo para o serviço de Internet", que cargas e descargas só passam pela doca do centro de convenções (manual do expositor). Para tradução pelo celular, a internet exclusiva entra no orçamento do evento. No Expo Center Norte, o manual da Fenasan 2025 informou que o pavilhão não tem docas e reservou a primeira janela da desmontagem para retirar audiovisual, eletrônicos e informática, antes dos estandes (manual da Fenasan).

- 01TraduçãoDocumentos, sites, contratos e conteúdos com linguagem clara e precisa.
- 02InterpretaçãoEventos, reuniões e atendimentos com comunicação direta entre idiomas.
- 03EquipamentosCabines e receptores para eventos com interpretação simultânea.
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Escrever e-mailEntão o contrato pode ser tratado inteiro como serviço. Em 2009, a Prefeitura de São Paulo tributou no subitem 17.02 um contrato de equipamentos de áudio, vídeo e tradução simultânea cedidos com mão de obra técnica para operá-los, e o STF só afasta o ISS da locação quando ela está claramente segmentada da prestação de serviços.
Infravermelho. Os fabricantes Bosch e Listen Technologies informam que o sinal infravermelho não atravessa paredes e só chega aos receptores com linha de visada dentro da sala. O rádio passa de uma sala para outra, o que serve a congressos e visitas, não a reuniões fechadas.
Dá, com aplicativo de interpretação e fone próprio. A Interprefy pede iOS 15 ou Android 10, ou versões mais recentes, e uma rede Wi-Fi confiável. Em centros de convenções com fornecedor exclusivo de internet, como o Distrito Anhembi, esse Wi-Fi entra no orçamento do evento.
Depende do contrato, e é uma pergunta a fazer no orçamento: quem confere os receptores na devolução, se há caução ou seguro e qual o valor de reposição. Recepcionistas na entrega e no recolhimento, como no edital da SP Leituras de 2026, deixam essa conferência com alguém.


